Azul Vital

Tiago Lucas

Há quem busque a ordem nos tribunais e na rigidez das leis escritas. Tiago Lucas, no entanto, descobriu que a verdadeira justiça — aquela que equilibra o espírito e a matéria — reside na harmonia das paisagens. Nascido sob a geometria planejada de Brasília, o artista trocou a retórica dos códigos civis pela eloquência muda da natureza. Em sua série para a edição CODE BLUE, ele nos apresenta o veredito definitivo: a serenidade não é um luxo, é uma necessidade vital.
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Nas obras de Tiago, o azul opera como um estado de fluxo. Diferente da frieza distante, seus tons de ciano, índigo e turquesa carregam uma temperatura tépida, solar e acolhedora. Seja na curva de uma onda que quebra na areia ou no espelho d'água de uma cachoeira que repousa sobre rochas milenares, a água em sua fotografia não é apenas um elemento químico; é um convite ao mergulho.
Ao contemplar suas imagens, somos transportados para uma dimensão onde o tempo obedece ao ritmo das marés, e não aos ponteiros do relógio. Existe uma "arquitetura do descanso" em seu olhar. Quando ele enquadra uma palmeira solitária curvando-se sobre o oceano ou a vastidão de um lago de montanha, Tiago está, na verdade, criando janelas de respiro. O azul aqui funciona como oxigênio visual — uma pausa necessária que limpa o olhar saturado e devolve a clareza mental.
A prosperidade, tema central desta edição, manifesta-se em sua obra como a abundância do espaço. Tiago Lucas captura o luxo supremo da contemporaneidade: o silêncio. Seus cenários, onde o céu e a água dialogam sem interrupções, lembram-nos de que a riqueza real reside na capacidade de se reconectar com a biosfera. O artista não apenas registra o mundo; ele o reverencia, transformando cada fotografia em um santuário de preservação e memória.
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Mais do que beleza documental, Tiago Lucas nos oferece dispositivos ópticos de reconexão. Sua obra é um lembrete de que, para "ler" a natureza, precisamos reaprender a linguagem do tempo desacelerado. Suas imagens são pulmões visuais; elas nos ensinam que o azul não é apenas uma cor para ser vista, mas uma atmosfera para ser respirada.
Quando o mundo acelera, onde seu olhar encontra o azul necessário para ancorar o silêncio?
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