A Ressonância do Orgânico

Teresa Pessoa

Diante de uma obra de Teresa Pessoa, somos confrontados não apenas por uma geografia visual, mas por uma acústica tátil. Suas criações, que amalgamam resina cristalina a madeiras resgatadas, flores preservadas e fragmentos de biomas brasileiros, vibram em uma frequência inaudível, mas palpável. A artista não opera apenas com o olhar; ela pratica o exercício raro de "ouvir com os olhos", transformando a superfície em uma membrana que ecoa sons adormecidos da natureza.
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Para Teresa, a floresta não é paisagem — é partitura.
"A natureza dita o ritmo nos veios da madeira, a harmonia na fluidez da resina e a improvisação nos acidentes", confidencia ela.
Seu processo de ateliê é menos uma construção física e mais uma escuta profunda. Ao coletar sementes, troncos e folhas do Cerrado, a artista sente recolher "memórias vibratórias", sons antigos que a transparência da resina se encarrega de eternizar, suspendendo o tempo.
Com formação em Artes Plásticas e influências de um pai arquiteto, ela cresceu entre o cheiro da madeira e o som de oficinas silenciosas. Seu trabalho, em especial a série que nasce do majestoso Flamboyant de seu jardim, é um manifesto contra o descarte e uma celebração da continuidade da vida.
A artista afirma que:
"a imagem tem ritmo, que a luz tem voz, e que o silêncio também fala."
O silêncio é o espaço onde a vibração nasce, o intervalo que dá sentido ao ritmo. Teresa equilibra a leveza da Bossa Nova, que expressa seu lado intuitivo, com a estrutura da música clássica, que guia seu lado cuidadoso. Ela aprendeu que o silêncio não é vazio, mas um espaço onde a matéria fala e a criação começa. Em um mundo cheio de ruídos, a pausa que sua arte propõe é uma forma de resistência: desacelerar quando tudo acelera, oferecer delicadeza quando tudo grita.
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Sua arte transcende a estética; é um manifesto de consciência ambiental, de continuidade emocional e da celebração da vida em todas as suas fases. O legado de Teresa Pessoa é a sensibilidade de olhar para o que é simples, a coragem de ouvir o que é sutil e a escolha de transformar o descartado em beleza durável. É um eco poderoso que ressoa da alma brasileira para o cenário artístico global.
"A música brasileira tem uma força emocional que não se esconde. Ela fala de amor, luta, saudade, festa, dor e beleza com a mesma naturalidade com que eu tento deixar que a natureza fale através das minhas obras."
Seu processo culmina em um equilíbrio sutil, que ela gostaria de traduzir em uma melodia que "começa suave, cresce em camadas e termina em calma." Essa melodia visual é feita de transparências e movimentos fluidos, refletindo o som que representa o equilíbrio entre o homem e a natureza: o sopro do vento e o ritmo constante da água, "um som de convivência e não de disputa."
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