A Cor da Própria Voz
Selma Moretto Bertelli
A arte de Selma nasce de uma sintonia silenciosa. Em uma edição dedicada à música, sua pintura emerge não do som, mas da ressonância que uma imagem emana quando se permite que ela fale primeiro. É um método descoberto na intuição, fruto de uma jornada autodidata em que a paixão pela arte, uma vez adormecida, despertou com a força de quem busca mais do que a técnica. Foi nesse caminho que ela desenvolveu um realismo que não busca a fidelidade da pele, mas a vibração da alma.
Nesta edição, seu olhar se voltou para um dos rostos mais reconhecidos do mundo: Madonna. Mas a escolha foi deliberada, focada não na persona pop, mas na mulher em sua fase madura. O objetivo, segundo a artista, era capturar "a energia que ela carrega, a força de tudo o que ela viveu." A obra se torna menos um retrato e mais a topografia de uma jornada, uma qualidade que Selma também aplicou ao capturar a beleza vulnerável de Amy Winehouse.


Essa busca pela verdade interior revela a filosofia que ela compartilha com seus alunos desde 2019. E talvez seja por isso que Selma não ensina apenas pintura. O que ela defende, antes de qualquer método, é o direito de ser único. Que o valor de um artista não está no que ele copia, mas no que ele é capaz de assumir de si mesmo. Para ela, autenticidade não é ousadia — é destino.
O retrato de Madonna, então, não celebra uma diva; celebra essa verdade: ser quem se é já é grande.
E no silêncio entre pinceladas, essa mensagem se converte em vibração — uma força que ressoa no olhar do espectador, como se a pintura sussurrasse: não renuncie à sua própria voz.
Selma Moretto Bertelli nos lembra — com beleza e honestidade — que pintar é mais do que representar: é revelar.





O tecido, para Selma, não é apenas suporte — é corpo. Fibra viva, orgânica, que respira junto com a obra. Há um diálogo entre material e pincel em que a trama absorve a tinta com sutileza, criando transparências, texturas e profundidades que seriam impossíveis em outras superfícies. É como se cada fio do tecido guardasse memórias, permitindo que a cor se fixe não apenas pelo gesto, mas pela emoção com que foi aplicada. A obra não repousa sobre o tecido: ela nasce dentro dele.


