A Cor que Canta, o Som que Pinta

Roberta Cetra

Diante de uma obra de Roberta Cetra, o primeiro impacto transcende o visual; é vibracional. Em seu ateliê, o silêncio é um mito. O espaço é habitado por uma sonoridade perpétua, onde a ausência de ruído externo apenas abre alas para uma música mental, instrumental e ordenadora. Para a artista, que transita com fluidez entre a composição visual, a música e as terapias do som, não existem fronteiras entre essas linguagens, apenas modulações de uma mesma frequência.
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Sua obra opera na dissolução de categorizações rígidas: a cor é uma nota audível aos olhos, e o som, uma textura que tateia a pele. Ao observar suas criações, somos convidados a uma experiência sinestésica onde a abstração não é fuga da realidade, mas uma imersão na estrutura atômica da emoção. A paleta de Roberta não nasce de um intelecto calculista, mas de uma intuição visceral. Ela descreve o processo como um entregar-se a "algo maior", onde a tela em branco não intimida, mas convoca. Suas cores carregam a densidade da cura, operando como uma cromoterapia sutil onde luz e sombra não servem apenas ao volume, mas ao reajuste das frequências internas do observador.
"É como dançar sem música; uma caminha com a outra", define a artista sobre a indissociabilidade entre som e pintura. Essa fusão cria paisagens que "dançam com as águas dos nossos corpos". Há, em suas telas, um movimento líquido sugerindo que a tinta, antes de secar, vibrou em uníssono com instrumentos como o kailani ou o tambor. O resultado é uma estética que apazigua a mente ruidosa contemporânea, oferecendo aquele silêncio raro que não é vazio, mas plenitude.
Muito além da técnica, sua prática é alicerçada nas Constelações Familiares, revelando a importância do pertencimento e a reverência ao que veio antes. O campo que outrora poderia limitar, hoje impulsiona seu traço. Roberta entende a arte como uma agulha capaz de costurar o que foi rompido na alma familiar, ecoando uma verdade profunda: "seus antepassados carregaram o piano para que hoje você pudesse tocá-lo".
Nesse ateliê, não há dicotomia entre busca e encontro, mas uma "eterna alegoria" entre os dois. Quando questionada sobre onde termina a música e começa a imagem, a resposta é a chave de sua poética: "Sinto que é uma única vibração, vinda da mesma fonte." Um traço pode inspirar um poema; uma frequência terapêutica pode desaguar em pintura.
Ao final, quando a música cessa e o ateliê adormece, a frequência de Roberta Cetra continua a vibrar. Sua obra nos lembra que a expressão genuína — seja um grito, um sussurro ou uma mancha de azul cobalto — é o som da alma quebrando o automatismo da vida para, finalmente, respirar. Em Roberta Cetra, a arte não imita a vida; ela a cura, a canta e a consagra.
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