A Arte Cósmica de

Regina Freitas

O percurso de Regina Freitas é a confluência de duas paixões que correm em paralelo desde a infância: a disciplina da forma e o fascínio pelo cosmos. Enquanto uma mão era guiada na tradicional Faculdade de Belas Artes de São Paulo, a outra folheava livros de astronomia. Essa dualidade atingiu sua síntese em Florença, onde, nas oficinas do Palazzo Spinelli, ela se aprofundou na arte do restauro. Ali, aprendeu a ler a história por trás do pigmento, a compreender a gramática da luz e a respeitar a estrutura que sobrevive ao tempo.
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
Hoje, essa mesma arqueologia visual é aplicada a um tema infinitamente mais antigo: o próprio universo. Regina não representa uma nebulosa captada pelo James Webb; ela a restitui, aplicando a velatura de um buraco negro ou o pigmento exato de uma supernova com a mesma disciplina usada para resgatar a cor de um mestre renascentista. A arquitetura caótica de uma galáxia é decodificada com o rigor de quem entende que toda beleza, seja num afresco ou numa estrela, possui uma ordem subjacente.
Por isso, seu trabalho transcende a mera pintura astronômica. É um ato de recomposição cósmica, um diálogo entre a mão que aprendeu a preservar o passado e os olhos que se fixam na origem de tudo. Cada tela é o resultado de uma profunda investigação sobre como dar forma ao informe, discernir harmonia no sublime e conferir permanência ao brilho efêmero de mundos distantes.
A artista não observa o cosmos de fora — ela o percorre por dentro, como quem caminha entre constelações feitas de memória e pigmento. O gesto, preciso e intuitivo, é quase um idioma próprio: o modo como o invisível escolhe se revelar.
As telas de Regina Freitas não são janelas para o espaço sideral, mas espelhos que refletem uma jornada interior — a de uma artista que encontrou, na técnica dos antigos, a ferramenta perfeita para tocar o mistério da criação. Mais do que pintar o que vê nos telescópios, ela recria, na tela, a luz primordial que nos deu origem.
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
error: Content is protected !!