Peter Gerakaris
Um Colorista Sônico
por: Simon Watson
Há pinturas que ficam educadamente penduradas na parede. Depois existe Peter Gerakaris, cujas telas parecem respirar som. Guitarrista e compositor em atividade, além de pintor, Gerakaris faz um trabalho visual que soa como música: um coro de cor e forma, improvisos organizados sobre uma base composta. Chamei de “jazz visual” antes de saber que ele realmente tocava jazz — um rótulo apropriado para um artista cuja prática é movida tanto por ritmo, chamada-e-resposta e acaso quanto por pigmento e pincel.
Ele remonta essa sensibilidade à infância. “Aprendi a improvisar desenhando por volta dos três anos”, diz. Seus pais, ambos artistas, brincavam de fazer rabiscos num jogo que era essencialmente chamada-e-resposta: uma pessoa fazia um risco abstrato e a outra transformava aquilo em outra coisa. Essa troca improvisada virou um modelo para uma vida em duas línguas criativas. “A guitarra sempre foi a ‘amante ciumenta’ do meu pincel”, diz, com um sorriso. Mais que um flerte, música e pintura se tornaram disciplinas que se enriquecem mutuamente: cada uma aquece as mãos e a imaginação da outra.






A maneira mais direta de ler as pinturas de Gerakaris é por meio da metáfora musical. Ele compõe harmonias visuais, melodias, temas e contrapontos. Uma tela pode começar com uma espinha rítmica — uma linha-base de padrão, simetria ou gradiente — e então se abrir para solos e riffs intuitivos. “A composição visual é como a espinha rítmica e a estrutura”, explica ele, “um roteiro flexível sobre o qual improvizo com solos mais intuitivos, riffs, um jogo de chamada-e-resposta.” Como um combo de jazz, suas telas permitem deslizamentos, notas inesperadas que conduzem a novas linhas de pensamento. O acaso às vezes é literal: um corante derramado ou uma goteira acidental pode virar o impulso para uma obra inteira, e ele costuma deixar expostos seus acidentes preferidos.
Sua série inicial ToxiGanic ilustra essa abordagem quase projetiva tipo Rorschach: plantas sedutoras e venenosas renderizadas em formas espelhadas que lembram capas de discos em vinil dos anos 1960 e 1970 — uma referência deliberada à fronteira porosa entre cultura visual e musical. Ele cita pioneiros da arte de capas como Victor Moscoso entre suas influências, e precedentes formais que vão das teorias de Kandinsky ao Broadway Boogie Woogie de Mondrian e ao “órgão visual” de Louis Castel ecoam em seu pensamento. São arcabouços que vinculam cor à altura (pitch) e imagem ao tempo.
Sinestesia — ou ao menos uma sensibilidade que lê cor como som e forma como fraseado — está no centro de sua prática. “Acredito ser sinesteta”, diz, descrevendo uma provável cromestesia em que cor e som se cruzam. Para ele, mudanças cromáticas não são meramente ópticas, mas musicais: cores vibratórias sugerem timbres; superfícies em camadas tornam-se texturas polifônicas. Ele compara o pop fortemente produzido a uma paleta visual rígida e em grade — comprimida, alta, previsível. O jazz, por contraste, é uma paisagem orgânica: curvilínea, fractal, sempre em movimento. “O jazz é, sem pedir desculpas, humano”, afirma. “Ele comanda minha atenção e meu assombro, e, ainda assim, estranhamente acalma meus nervos porque tem plena amplitude dinâmica… momentos de silêncio, pausas dramáticas, solos extáticos.”
Essa convicção anima seu trabalho colaborativo com compositores e artistas sonoros. Para Tropicália, uma grande instalação imersiva, ele convidou Trevor Gureckis para criar uma trilha ambiente que fazia loop com samples de selva e tonalidades exóticas, permitindo que o som amplificasse o entorno visual. Em sua série Icon — memoriais neo-bizantinos para espécies ameaçadas — Gureckis desacelerou o canto bizantino até microtons, transformando o espaço da galeria em algo que se aproxima de uma basílica onde som e imagem se desconstróem mutuamente. Comissões como Hybrid Echo e Jungle Oculus Tondo foram concebidas com mentes musicais, e Caravan (Owl), no National Museum of Wildlife Art, deve tanto às chamadas da coruja-barrada nas noites de New Hampshire quanto ao exotismo ellingtoniano: seus motivos espirais sugerem reverberação, tanto acústica quanto psíquica.


A vida de estúdio de Gerakaris oscila entre a solidão e a colaboração, espelhando suas identidades paralelas de pintor solitário e músico improvisador. Ele valoriza as horas de foco que a pintura permite, mas também anseia pelo circuito de retroalimentação instantânea da música ao vivo — o fôlego compartilhado entre intérpretes e público que pode transformar uma frase em pleno andamento. Seus projetos futuros visam ligar essa divisão: pavilhões de origami em escala para espaços públicos de performance, guitarras-artísticas sob medida e instalações com trilhas sonoras interativas que permitem troca em tempo real entre espectador e ambiente.
A sobreposição de técnicas é prática e tangível. Pintar aquece a destreza de sua mão que palheta; sobrepor tinta espelha a gravação multipista; uma trilha sonora profunda e rica em reverb cria espaço perspectival, enquanto uma mixagem seca e incisiva se lê como uma pintura plana e confrontadora. Ele escuta enquanto pinta — às vezes música ambiente e enxuta quando a obra exige concentração, às vezes arranjos complexos durante processos repetitivos. Em outros dias pinta em silêncio, deixando gaviões, coiotes e o vento em seu estúdio no noroeste de Connecticut servirem como partitura.


Sua biografia musical é tão eclética quanto sua paleta. Mudou do piano para a guitarra elétrica aos onze anos, tocou em combos de jazz, orquestras afrobeat, coletivos de dub-reggae e grupos de funk psicodélico, e se apresentou em casas que vão do Five Spot ao The Stone, de John Zorn. Um período vivendo em Cabo Verde resultou em trocas musicais com mestres locais e num amor aprofundado pelos ritmos africanos — um passaporte cultural que reforçou seu apetite pela hibridização.
Historicamente, sua abordagem pertence a uma linhagem que liga o círculo cromático de Newton à escala diatônica ocidental e remete a artistas que borraram a fronteira entre ver e ouvir. Kandinsky e Mondrian se impõem, assim como músicos que pintavam — Miles Davis e Tony Bennett entre eles — e bandas vindas de escolas de arte como Talking Heads. Para Gerakaris, esses precedentes confirmam que o impulso de traduzir entre mídias não é nem novo nem raro.
Se há um fio condutor em seu trabalho, é a insistência na capacidade da arte de nos reconectar. “Não é apenas um luxo fazer tanto arte visual quanto música para audiências num mundo muitas vezes cheio de desconexão e discórdia”, diz ele. “Ambas são modos universais e poderosos de nutrir reconexões — entre as pessoas e com os lugares.” Seja por meio de uma espiral pintada que sugere o eco de uma coruja, uma trilha sonora que estica o canto bizantino até o microtonal, ou um futuro pavilhão onde músicos e público trocam improvisos em tempo real, Peter Gerakaris compõe ambientes que nos pedem para escutar tanto quanto para olhar. Em suas mãos, imagem e som não são artes separadas, mas línguas sobrepostas — e o trabalho mais vital acontece na conversa entre elas.
Instagram: @petergerakaris
www.petergerakaris.com


