O Gesto que Permanece

Mylene Costa

O trabalho de Mylene Costa desafia a ideia de escultura como mero objeto. Suas obras instauram um campo de presença — onde forma e ausência coexistem, e o olhar se torna parte da matéria. Ao tensionar o alumínio até o limite da leveza, a artista esculpe uma geografia do sensível: curvas que respiram, superfícies que guardam memórias, vazios que convocam o pensamento.
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Essa geografia encontra raízes profundas. Vinda de Cuiabá, no coração de um Brasil de vastidões, Mylene infunde em sua obra uma energia primordial, uma memória da terra. Sua vida em trânsito com os Estados Unidos adiciona a essa equação o rigor da metrópole, a linguagem polida da indústria. É dessa dupla matriz — a terra ancestral e o asfalto contemporâneo — que nasce o contraste vital de seu trabalho: a vibração que subverte a frieza do metal. Suas origens não são apenas lugares no mapa, mas polos de uma tensão criativa que ressoa na alma de cada peça.
Mylene tem obras apresentadas em centros culturais da Europa, América Latina e Brasil, e vem conquistando espaço nas principais mostras de arte contemporânea, atraindo a atenção de críticos, curadores e colecionadores. Sua presença internacional confirma a universalidade de sua linguagem e a força de um gesto que transcende fronteiras — um gesto que, mesmo nascido do alumínio, fala de matéria e de humanidade.
Em sua escultura, o corpo é apenas o ponto de partida. O verdadeiro centro está nas fendas, nas pausas, nos espaços que parecem conter um sopro de lembrança. O alumínio — frio, industrial, exato — torna-se, em suas mãos, uma pele tensionada pelo tempo. O metal vibra como se guardasse a memória de um toque.
Mylene não busca a forma perfeita — busca o que permanece depois dela: a inquietação. Cada curva, cada dobra, contém uma pergunta ainda em aberto. Há nelas uma energia que oscila entre a erosão e o nascimento, entre a ferida e o florescimento.
Suas esculturas não são objetos — são presenças. Elas não se impõem ao espaço; elas o inauguram. A cor, aplicada com rigor quase ritual, não adorna: interfere. Rompe a neutralidade do metal e introduz uma vibração simbólica que torna visível o que antes era silêncio.
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Oscar D’Ambrósio observa que sua arte nos convida a olhar o espaço de dentro para fora. E é exatamente isso: suas esculturas são mirantes do invisível, fragmentos que nos devolvem à percepção de que o real é sempre incompleto — e é nesse inacabado que habita a beleza.
Porque a arte, em sua forma mais pura, não replica o mundo — ela o traduz. E nas mãos de Mylene, o silêncio ganha corpo, peso e permanência.
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