O Canto das Cores

mdelanuez

Há artistas que escutam antes de pintar. Manuel é um deles.
Em seu ateliê, cada pincelada nasce como se fosse uma nota — um gesto que vibra entre o som e o silêncio, entre o visível e o que apenas se pressente. Sua arte é feita de pausas, intervalos e ressonâncias. É pintura, mas soa como música.
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Noches en los Jardines de España
“Inspirada no célebre concerto de Manuel de Falla - (23/11/1876 - 14/11/1946) esta obra transforma em cor a atmosfera noturna dos jardins espanhóis.
Autor e espectador: mdelanuez
Acrílica sobre Tela - 20x30cm.
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Melodia Tropical
A obra interpreta uma melodia nascida de uma favela carioca em um dia luminoso. Não é apenas uma paisagem: é um canto urbano, vivo, quente e pulsante.
Autor e espectador: mdelanuez
Acrílica sobre Tela - 40x50cm.
Nascido nas Ilhas Canárias e enraizado no Brasil, Manuel carrega nas mãos o contraste entre o fogo das paisagens vulcânicas e a doçura tropical que o acolheu. Formado em Arquitetura pela UFRJ, aprendeu desde cedo que toda criação requer estrutura, proporção e harmonia — princípios que ele hoje transpõe da geometria para o coração das coisas. Sua formação o ensinou a medir espaços, mas é na arte que ele aprendeu a medir emoções.
Em sua série “As Quatro Estações”, inspirada na obra imortal de Antônio Vivaldi, Manuel transforma o som em imagem, a cadência em cor. A música, para ele, não é tema — é matéria.
As Quatro Estações - O Verão
O Verão de Vivaldi surge vibrante. Manuel traduz o calor da estação em cores febris, que ondulam como o ar quente sobre um campo em plena tarde.
Autor e espectador: mdelanuez
Acrílica sobre Tela - 60×90 cm.
O Inverno se revela em tons austeros e linhas retorcidas, onde o frio se traduz em silêncio e a esperança se insinua nas margens cinzentas. O Verão é febril, cheio de ritmo e luz, quase dançante. Cada tela, um concerto interior.
Em suas palavras, “sem o silêncio não existiria arte”. Talvez por isso, em meio ao movimento e à cor, haja sempre nas obras de Manuel um espaço de respiro — aquele intervalo que antecede o som e dá sentido à melodia.
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Máscara Negra
Inspirada pelo famoso bloco de Carnaval que canta “Máscara Negra”, de Zé Kéti - (16/09/1921 - 14/11/1999), esta obra captura o espírito vibrante da Avenida Atlântica.
Autor e espectador: mdelanuez
Acrílica sobre Tela
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Una Furtiva Lágrima
Nesta interpretação plástica da ária imortal de Gaetano Donizetti - (29/11/1797 - 08/04/1848), Manuel recria em forma o instante delicado em que a emoção transborda. A “Lágrima Furtiva” se converte em transparências, gestos suaves e cores que sugerem o desejo, a espera e a revelação.
Autor e espectador: mdelanuez
Acrílica sobre Tela - 30×40 cm.
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Primeiro Choro
Nesta obra, o artista representa o choro da criança no instante do parto, envolto por símbolos que sugerem os caminhos de sua futura existência.
Autor e espectador: mdelanuez
Acrílica sobre Tela - 40x50cm.
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O Canto do Uirapuru
Considerada pelo artista uma “joia tropical”, esta obra nasce da experiência de ouvir o canto do uirapuru em plena floresta brasileira. Manuel pinta de joelhos, como ele próprio diz — em louvação ao mistério da criação e à delicadeza do que é sagrado na natureza..
Autor e espectador: mdelanuez
Acrílica sobre Tela - 30×40 cm.
Suas composições têm ritmo, mas também têm pausa; têm intensidade, mas nunca gritam. Ele pinta a emoção que a música desperta, não sua aparência. Traduz o invisível com a serenidade de quem compreende que toda nota é também uma cor esperando ser vista.
Há, em seu trabalho, um tipo raro de escuta — uma que vem da alma. Quando fala de Vivaldi, Manuel fala de humanidade: da alegria, da espera, da fé na continuidade das coisas. Ele não busca a reprodução literal de uma sinfonia, mas o eco que ela provoca em quem a sente. Assim, suas telas não apenas retratam as estações do ano; elas se tornam metáforas do tempo humano — do nascer, do florescer, do declinar e do renascer que definem nossa própria jornada.
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Valsa nº 2
A famosa valsa de Shostakovich ganha corpo pictórico em movimentos circulares, contrastes elegantes e uma cadência visual que parece girar diante dos olhos. Manuel capta o misto de nostalgia e grandiosidade da melodia, criando uma atmosfera onde a dança se torna memória — leve e intensa ao mesmo tempo.
Autor e espectador: mdelanuez
Acrílica sobre Tela - 30×40 cm.
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Ao contemplar suas obras, é como se o olhar ouvisse.
As cores vibram em uníssono, as formas dançam, e o silêncio entre as linhas parece conter uma respiração. Manuel, o arquiteto que virou maestro das cores, não pinta a música — ele a vive. E, no encontro entre o som e o pigmento, nos ensina algo essencial: que a arte, como a vida, é feita do intervalo entre o que ouvimos e o que sentimos.
“Se suas telas integrassem uma orquestra, você as ouviria em solo, em harmonia ou no silêncio entre as notas?” — perguntamos. E ele responde, com a leveza de quem já transformou emoção em cor:
“Eu ouviria minha arte como o resultado do que sou — uma unidade única, para a qual criei um alfabeto que, como o samba de Jobim, tem uma nota só.”
As Quatro Estações - O Inverno
Aqui, Manuel dá forma ao frio cortante e à introspecção de Vivaldi. Tons austeros, linhas tensas e um silêncio profundo atravessam a composição.
Autor e espectador: mdelanuez
Acrílica sobre Tela - 60×90 cm.
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Coppélia
Inspirada no balé encantado de Léo Delibes, esta tela recria a leveza e o brilho do universo coreográfico. Há graça, fantasia e um senso de teatralidade luminosa.
Autor e espectador: mdelanuez
Acrílica sobre Tela - 60x90cm.
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