A Fluidez do Olhar
Maximilian Rodrigues
A arte de Maximilian Rodrigues é um ponto de convergência entre a tecnologia de bolso e a vastidão da Amazônia. Sua prática, que ele denomina smartografia, transcende a mera fotografia feita com smartphone; é uma metodologia de captura e manipulação digital que transforma o dispositivo móvel em um laboratório de poéticas visuais. Rodrigues, licenciado e doutorando em Artes Visuais, não apenas produz imagens; ele as pesquisa, com ênfase nos desdobramentos da imagem em um mundo saturado por telas.



O cerne de sua obra reside no contraste. Rodrigues caminha entre a cidade e a floresta, capturando a fricção entre o urbano e a natureza na Amazônia. Essa dualidade não é apenas geográfica; é conceitual. Ele usa a manipulação digital e a inteligência artificial para sobrepor camadas, criando percepções subjetivas que revelam novas possibilidades e mundos. O resultado não é um registro documental, mas uma paisagem psíquica onde o concreto da metrópole se dissolve na exuberância da mata.
Nesse território de intersecção, o elemento água emerge como a fonte de reflexão mais relevante. Seja nos rios da floresta ou nos reflexos da cidade, a água é o espelho que permite a reflexão e a fluidez. É o portal para as vivências pessoais e as memórias afetivas que, segundo o artista, refletem em seu processo criativo. A água é a matéria-prima da memória, o veículo que transporta o passado para o presente digital.








