Um Instante de Bossa eterno na Cor

Luiza Volpato

Se fosse possível sintonizar o olhar como se ajusta um rádio, a obra de Luiza Burigo Volpato seria a frequência exata onde a cor deixa de ser matéria para se tornar decibel. Para esta edição especial Música que se Vê, a artista não se limita a ilustrar a histórica noite de 1962 no Carnegie Hall; ela reencena, em gesto e vibração, a alquimia solar daquele encontro. A rigidez geométrica e o frio de Nova York são subitamente invadidos — e vencidos — por uma febre cromática tropical. O que vemos na tela não é um registro documental, mas o gráfico sísmico do exato instante em que a arquitetura sagrada do palco se rendeu à síncope brasileira, transformando o concreto em balanço e a memória em uma experiência tátil de som.
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
Nascida em Criciúma e hoje imersa na luminosidade do Rio de Janeiro, Luiza opera como uma verdadeira antropóloga do sensível. Sua formação em Sociologia e Direito, longe de ser um mero adendo biográfico, atua como a lente estrutural de sua poética: onde a análise social enxerga massa, a artista vê coreografia. Ela abandonou a letra fria dos códigos para investigar as leis não escritas que regem os encontros humanos — a euforia, o afeto e o pertencimento. Sua obra é o resultado alquímico desse trânsito entre a razão crítica e a pulsão estética.
O que move seu pincel é a busca pela "efervescência coletiva". Em seus bailes, festas e nesta representação histórica do Carnegie Hall, a individualidade se dilui propositalmente em favor da comunhão. Luiza não pinta sujeitos isolados; pinta a energia invisível que os conecta. Há uma urgência festiva em seu processo criativo: campos cromáticos intensos colidem e se harmonizam com a liberdade de uma jam session, evocando a teatralidade da vida e a suspensão poética que só a música proporciona.
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
Nesse contexto, a artista articula um lirismo que se manifesta na liberdade gestual, onde o excesso de cor é a própria celebração. A obra sobre o Carnegie Hall ergue-se como um manifesto sobre a arte como pulsação coletiva, um local onde a alegria e a felicidade são tangíveis. Luiza Burigo Volpato nos oferece mais do que uma representação; ela nos dá uma experiência de pertencimento. Ao contemplar a Bossa Nova em seu esplendor cromático, somos convidados a dançar com as imagens, a recordar afetos e a reconhecer que a arte, em sua forma mais pura, é a celebração da vida em seu movimento mais intenso. Sua tela é a prova de que a música que se vê é aquela que nos faz vibrar, um gesto de comunhão que ressoa muito além da moldura.
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
artnow-report-arte-de-todas-as-formas-art-artistic-obra-de-arte-a-melhor-revista-de-arte
Instagram: @luizaburigovolpato
error: Content is protected !!