“O Chamado do Pantanal”
Felipe Cuoco
A obra de Felipe Cuoco não se limita a mostrar o mundo — ela o interpela. Ao contrário da fotografia que entrega respostas rápidas e imagens instantâneas, Felipe opera em outra lógica: suas imagens pedem tempo. Elas exigem silêncio. E, sobretudo, exigem responsabilidade do olhar que se aproxima.


O Pantanal que atravessa sua lente não é cenário, fauna ou exotismo: é uma consciência ecológica viva. Uma presença que observa, reage, resiste. É por isso que, diante de suas fotografias, o espectador se sente convocado. Não há espetáculo: há existência. Talvez o circuito internacional tenha percebido esse gesto antes do Brasil.
A repercussão de suas exposições nos últimos anos — de Nova York ao grande palco de Art Basel Miami Beach 2025, em parceria com a Galeria Azur — confirma que sua fotografia ultrapassa a categoria documental e se instala na esfera conceitual e estética da arte contemporânea. Em cada mostra, a crítica responde do mesmo modo: Felipe não apenas fotografa o Pantanal — ele produz pensamento visual sobre o Pantanal.
A presença do fotógrafo marca um avanço em sua trajetória internacional e a expansão de um projeto que já se tornou sua assinatura artística: “O Chamado do Pantanal” — uma série dedicada a documentar, através da fine art, a força estética e a urgência ambiental do bioma mais rico do Brasil.
Felipe define com precisão o sentimento que o move: “É a concretização de um sonho e, ao mesmo tempo, um lembrete de que a arte ainda é um refúgio em um mundo em transformação. Minha intenção é que cada imagem seja um chamado silencioso vindo da natureza — um convite para reconexão, respeito e contemplação.”
Na obra do artista, a técnica é refinada — mas é a consciência ecológica que define sua assinatura.




Os prêmios que chegam ao artista honram suas imagens, sim — porém não por serem apenas belas, e sim por serem necessárias. Reconhece-se não somente o esmero técnico, mas o poder de criar fotografias que vivem, que denunciam e que pedem cuidado.
Sua fotografia é refinada, é bela, é rigorosa — mas nunca anestesiante. Não romantiza o Pantanal, tampouco o panfleta. Ele concede à natureza o direito de falar por si.
A presença do Pantanal em feiras internacionais, em prêmios e em exposições não é triunfo de artista — é conquista do bioma. Felipe sabe disso. Cada reconhecimento, cada vitrine global, cada obra adquirida por colecionadores é, antes de tudo, ampliação da visibilidade de uma paisagem que segue lutando para continuar existindo.
“A arte atravessa fronteiras. Levar o Pantanal à Art Basel é dar voz à natureza brasileira diante do mundo. Quero que essas imagens despertem pertencimento, admiração e também responsabilidade.” — Felipe Cuoco
Por isso suas fotografias permanecem na memória: não porque informam, mas porque responsabilizam.
Felipe Cuoco não transforma o Pantanal em imagem. Ele transforma a imagem em consciência — e a consciência, em impacto.


