A Oitava Azul de
Denise Dumont
Há uma sonoridade particular que emana das telas de Denise Dumont, um fenômeno que a crítica contemporânea define como ressonância espacial. Nesta edição especial "Música que se Vê", Denise deixa de lado a solidez mineral de suas fases anteriores para mergulhar em uma investigação profunda sobre o azul — não como cor, mas como timbre. Suas obras, nesta série, são partituras atmosféricas onde o olhar percorre a tela e apreende a vibração de cada camada.


Sua formação em Design de Interiores confere-lhe o domínio do "compasso" — a compreensão exata de onde o vazio deve silenciar e onde a cor deve explodir em um acorde pleno. Para Denise, a tela é uma câmara de eco: ela projeta nesta superfície a alma dos espaços, transformando o concreto das paredes em uma experiência sinestésica. Suas criações não decoram o ambiente; elas o afinam.
Na obra exclusiva para a ArtNow Report, Denise Dumont manifesta-se em diversas oitavas. Há o azul profundo, quase abissal, que remete aos baixos contínuos de um violoncelo; e há os matizes cerúleos, leves como um sopro de flauta sobre o Sena. É uma fluidez melódica: a tinta escorre com a intenção de um rio que conhece seu curso, ora calmo como uma balada de jazz, ora impetuoso como um movimento sinfônico.


"A arte dá alma aos espaços porque ela é, em essência, som visível. Ela cria uma atmosfera que vibra em harmonia com quem a habita, transformando a arquitetura em um diálogo vivo."
A sofisticação de Denise reside na sua capacidade de transformar a pintura abstrata em um código universal. Ela dispensa palavras para comunicar-se diretamente com o observador, provocando uma imersão que é, simultaneamente, estética e introspectiva. Suas obras estabelecem uma interlocução subjetiva com os elementos arquitetônicos, criando ambientes que estimulam o bem-estar e a conexão.
Denise Dumont rege uma orquestra de matizes que desafia a percepção sensorial tradicional. Neste especial 'Música que se Vê', o espectador é convidado a ser mais do que um ouvinte visual; ele se torna parte da composição, imerso em um universo onde o azul é a melodia e a tela é o palco infinito da alma humana.



