O Rio em Estado de Arte

André Pivetti

Carioca de traço indomável, André Pivetti opera em uma zona onde a Street Art e o Neoexpressionismo se fundem para criar uma cartografia de estados de espírito. Em seu universo, o sentimento não é algo que se experimenta — é alguém que se apresenta. Desde os sete anos, o artista compreendeu que a cor e o traço são as ferramentas mais honestas para traduzir o que a palavra, muitas vezes, silencia.
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André possui a rara habilidade de dar musculatura ao intangível. Ele retira as emoções da abstração teórica e as condensa em figuras viscerais. Ao verter o sentimento para a tela, ele não está apenas ilustrando conceitos; está erguendo totens. Suas obras são retratos de personagens que habitam o lado de dentro, ganhando rostos angulares, texturas sobrepostas e cores que parecem ter sido arrancadas de um conflito interno.
A densidade simbólica de seu trabalho reside na honestidade do "sentir". A linguagem visual que ele propõe é um ecossistema de influências que colidem com harmonia: há o vigor gráfico das ruas, a ironia da Pop Art e a fragmentação do Cubismo, tudo filtrado por uma identidade autoral que recusa rótulos fáceis. Suas pinceladas funcionam como registros sismográficos da própria alma: ora cortam o suporte com a agressividade de um desabafo, ora o acariciam com a sutileza de uma descoberta.
O que torna sua produção essencial na cena contemporânea, contudo, é a sua democracia estética. André tensiona o limite entre a profundidade conceitual e a acessibilidade visual, recusando o hermetismo. Sua arte não exige um manual de instruções acadêmico; ela exige um corpo que sinta. Ao limpar as lentes do observador, ele permite que pessoas historicamente alheias ao campo artístico se reconheçam na tela, transformando conceitos complexos em experiências táteis e provando que a sofisticação máxima é falar diretamente ao âmago da vida comum.
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No ateliê de André, a frase "Pinto o que sinto; e sinto o que pinto" deixa de ser um aforismo para se tornar uma lei física. Suas obras são pontes sobre abismos, convites para que cada um de nós encare nossos próprios "adversários" e "alegrias" com a coragem de quem sabe que a beleza não está na perfeição, mas na verdade irreversível do gesto.
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