O azul como um espaço de travessia
Patricia Siqueira
O azul é a mais profunda das cores. A mais imaterial. Carrega em si um efeito de transparência onde as formas desaparecem, afogam-se e somem, como um pássaro no céu. Ao impregnar-se nas coisas, o azul as desmaterializa, dissolve seus contornos, suspende sua densidade.



Há nele uma sensação de distância e proximidade ao mesmo tempo. Ele acolhe e projeta. É superfície e profundidade. É limite e abertura. Caminho para o infinito, o azul desloca o real para o campo imaginário. Ele não é deste mundo. Ele sugere uma ideia de eternidade tranquila e altaneira, quase inumana. O azul faz um movimento paradoxal , pois ao mesmo tempo em que nos afasta, nos conduz para o centro.
É nele onde o movimento se torna mais sutil, onde a cor respira e o olhar encontra tempo para permanecer. Ele não se impõe, ele permite. Um convite ao deslocamento interior para além da imagem, para além do imediato.


Talvez o azul seja uma passagem para o que ainda não tem forma.








O Azul nos propõe a vastidão do infinito apenas para, no fim, nos devolver ao centro exato de nós mesmos.


