A Soberania do Caos

André Pivetti

No ateliê de André Pivetti, o cotidiano não é uma sucessão de horas, mas uma geografia de enfrentamentos. Se em edições anteriores sua obra operava como uma cartografia de estados de espírito, nesta série "Cotidiano", o artista carioca radicaliza o gesto: ele retira o véu da rotina para revelar o que lateja sob a pele da normalidade. Suas telas são totens viscerais de gente que, entre o silêncio e o grito, ainda tenta ser livre.
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André traduz a "verdade irreversível do gesto" através de uma estética que funde o vigor das ruas ao neoexpressionismo. Em suas figuras, o dia a dia manifesta-se em máscaras e armadilhas. Há uma densidade simbólica quase tátil ao observarmos as faces que "engolem sapos sorrindo" ou mentes que se transformam em palcos para conflitos internos — onde o pensamento vira uma mesa posta para o caos. Aqui, o palhaço e o rei ocupam o mesmo espaço: o chapéu de festa convive com a coroa, lembrando-nos que a exaustão da vida comum não anula a dignidade do próprio império.
As cores, embora vibrantes, não buscam o adorno; elas servem de oxigênio para personagens imperfeitos e intensos. Nesta edição Code Blue, André nos convoca a olhar para o azul que reside na profundidade do cansaço — aquele momento de pausa onde a força se reconstrói. Suas obras não pedem manual de instrução, pedem um corpo que sinta a eletricidade do traço e a coragem de encarar os próprios adversários internos.
Observar a série "Cotidiano" é reconhecer que ser rei de sua própria vida exige, antes de tudo, a bravura de levantar-se mesmo quando o mundo nos faz de espetáculo. É a sofisticação máxima de falar ao âmago da vida através do traço indomável.
Em meio às máscaras que o dia a dia nos impõe, qual é a fresta de liberdade que você ainda preserva para si mesmo?
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