Dolores Club

O Santuário do Jazz e da Bossa Nova
por Mister George
No coração do Centro do Rio Antigo, onde a boemia carioca se recusa a dormir, um novo capítulo da história musical do Rio de Janeiro está sendo escrito à luz baixa e sob o som de acordes sofisticados. Escondido no número 10 da Rua do Lavradio, o Dolores Club não é apenas uma casa de espetáculos; é um manifesto de resistência cultural e uma carta de amor à música brasileira, projetada para informar e encantar tanto o Brasil quanto o mundo.
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Uma Joia no Centro Histórico
Anexo ao mundialmente famoso Rio Scenarium, mas com identidade e entrada próprias, o Dolores Club ocupa um salão carregado de memória: o antigo Humaitá Atlético Clube. O espaço, que já viu os passos de gafieira de décadas passadas, foi meticulosamente restaurado para abrigar o que há de mais refinado no Jazz, na Bossa Nova e na MPB. Artistas de renome como Ney Matogrosso, Fernanda Abreu, João Donato, Roberto Menescal, Leila Pinheiro, Irma, cantora franco-camaronesa com múltiplos discos de platina, Liz Rosa, que dividiu palco com João Bosco e outros mestres da MPB, Jade Baraldo e Josiel Konrad, em shows de jazz e pop experimental, entre outros, já se apresentaram no Dolores Club.
Ao cruzar suas portas, o visitante é transportado para uma atmosfera que mescla a elegância dos speakeasies nova-iorquinos com o calor tropical do Rio dos anos 50. A decoração é uma curadoria de nostalgia: cartões-postais românticos e capas de discos clássicos adornam as paredes, criando um cenário que respira arte.
O Piano de Vidro e a Homenagem às Mulheres
O ponto focal do salão é, sem dúvida, o majestoso piano de cauda com tampo de vidro e iluminação interna. Mais do que um instrumento, é uma relíquia histórica: adquirido da mansão de Abrahm Jabour, o "Rei do Café", o piano já serviu de base para saraus lendários frequentados por ninguém menos que Elis Regina. Hoje, ele permite que o público admire a mecânica da música em movimento, uma fusão literal de som e imagem.
O nome da casa carrega uma dualidade poética. "Dolores" é uma reverência dupla: à icônica cantora e compositora Dolores Duran, cuja voz marcou a era de ouro do rádio, e a Dolores Quintão, tia de Plínio Fróes — o visionário por trás do empreendimento e um dos responsáveis pela revitalização da Lapa.
A Experiência Sonora
A programação do clube foge do óbvio. Enquanto as quintas-feiras são sagradas para os puristas do Jazz e da Bossa Nova, com tributos que vão de Tom Jobim a divas contemporâneas, a casa tem se reinventado. Recentemente, o espaço inaugurou a "Dolores Disco" aos sábados, abrindo a pista para DJs e uma atmosfera dançante que conecta gerações.
Para o turista internacional, nacional ou o carioca ávido por alta cultura, o Dolores oferece uma acústica impecável e uma gastronomia de boteco refinada, sem a pretensão excessiva, mas com a qualidade que o cenário exige.
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