O Carnegie Hall sob a Regência de

Simone Momente

Há espaços que não são apenas construídos, mas compostos. O Carnegie Hall é um desses templos, onde a arquitetura se curva à sinfonia, e cada ângulo ressoa com a memória de um acorde. Para a edição especial "Música que se Vê", a artista Simone Momente, mestre em tecer a memória em colagem, volta seu olhar para este ícone, não para registrá-lo, mas para desvendá-lo em sua essência mais profunda. Sua obra é um convite à sinestesia, onde o silêncio do papel e a sobreposição de texturas se transformam na mais complexa e sofisticada das partituras. Onde a música cessa, a arte de Simone começa, revelando a partitura tátil que se esconde sob o mármore e o veludo.
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O Carnegie Hall de Simone não é um edifício de coordenadas geográficas em Nova York; é uma estrutura erguida sobre a memória. Ao manipular suas colagens — técnica que em suas mãos ganha a precisão de uma orquestração —, a artista fragmenta a realidade para recompô-la em camadas de afeto. Cada recorte de papel age como uma nota em uma partitura complexa, onde a sobreposição de texturas emula a densidade harmônica de uma orquestra filarmônica prestes a explodir em um fortíssimo.
Há, contudo, uma "luthieria" sutil nesse processo. Simone escuta a cor antes de aplicá-la. Guiada pela elegância vocal de Frank Sinatra e pela sofisticação bossa-novista de Tom Jobim, ela confere à obra um balanço que oscila entre o swing do jazz e a melancolia do sol poente de Ipanema. O prédio, sob seu olhar, respira. As linhas curvas e as ondas que permeiam a composição não são meros adornos; são a tradução gráfica da coerência cardíaca da plateia, o registro sismográfico da emoção coletiva que transformou aquele espaço em um templo.
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Como já demonstrado em suas obras sobre o Copan, o Hôtel du Marc e a Torre Eiffel, a técnica de Simone é intrínseca à sua narrativa. As camadas de papel e a sobreposição não são meros recursos; são a própria metáfora das vivências que se somam como estratos na pele da cidade e na nossa memória. No Carnegie Hall, essa técnica revela a atmosfera que sustenta o pensamento estético: um tom de reverência e intimidade, onde a razão e a intuição se equilibram.
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Esta não é uma obra para ser apenas vista; é uma peça para ser ouvida com os olhos. Simone Momente rege o papel e a tinta com a autoridade de quem sabe que, na arte, assim como na música, a verdade não está na nota isolada, mas na vibração que ela provoca. O seu Carnegie Hall é uma "melodia visual" contínua, um convite irrecusável para que nossas memórias subam ao palco e dancem.
Nesta edição de Música que se vê, a artista não nos entrega um retrato do Carnegie Hall; ela nos oferece a sua acústica.
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