Narrativas Criativas

Sustentabilidade e Reciclagem na Arte

R.Kovacs

Nascido em 1967 na  região da Lapa, em São Paulo, R. Kovacs é um artista autodidata que destaca-se por suas habilidades multifacetadas. Dominando diversas técnicas, desde desenho e escultura até serigrafia, xilogravura e colagem, suas criações refletem uma rica paleta de expressões artísticas. Mestre na restauração de móveis antigos e na produção de objetos de arte em cimento, madeira e metal, Kovacs transforma sua experiência em uma expressão criativa completa. Navegando sem esforço entre estilos e técnicas diversas, ele explora pintura, colagem, gravura, serigrafia e fotografia em sua busca incessante por expressão criativa.

1- ArtNow Report: Sua jornada artística é marcada por uma ampla gama de técnicas, desde desenho até escultura, serigrafia e xilogravura. Como você equilibra essas diferentes formas de expressão criativa?

R.Kovacs: Não tenho problemas com equilíbrio, apenas sigo meu instinto e vou fazendo o que vem na mente, deixo fluir, saio mixando tudo, pintura com fotografia, serigrafia com produção de objetos de arte ou decorativos, na verdade, o equilíbrio se torna espontâneo.

2- ANR.: Muitos artistas têm uma fonte de inspiração ou um tema recorrente em seu trabalho. O que inspira suas criações?

RK.: Em minhas criações tenho como fonte de inspiração muitos trabalhos de outros artistas, a reciclagem, o reuso e a natureza.

3- ANR.: Você é mestre na restauração de móveis antigos e na produção de objetos de arte em cimento, madeira e metal. Como sua experiência na restauração influenciou seu trabalho artístico?

RK.: Mestre seria um exagero, ainda vivo aprendendo com essa modalidade. Sou aficionado em pegar um móvel antigo, cansado e deixado de lado para resgatar e trazer de volta a cena com uma roupagem nova, a restauração me ajuda com as técnicas de pinturas especiais, tingimento e tratamento das superfícies a serem restauradas ou modificadas, com isso utilizo essas técnicas em outros trabalhos artísticos como vasos, estantes, luminárias, quadros e outros.

4- ANR.: Sua abordagem sustentável à arte e seu compromisso com a reciclagem são evidentes em suas criações. Pode nos falar mais sobre como a sustentabilidade se tornou uma parte integrante de sua prática artística?

RK.: A essência do meu ser é criar e produzir. Na arte, utilizo materiais descartados, encontrados gratuitamente, destacando a importância da sustentabilidade na expressão artística. Acredito que, mais do que nunca, devemos integrar a reutilização de materiais descartados na arte contemporânea, seja em pintura, fotografia, escultura ou outras formas artísticas. Minha visão é transformar materiais destinados ao aterro em obras de arte, contribuindo para um movimento significativo em prol da sustentabilidade, algo gratificante tanto para mim quanto para o planeta.

5- ANR.: Na atualidade, você está concentrado na pintura abstrata e na fotografia, explorando uma variedade de substratos. Como esses dois meios interagem e se complementam em seu trabalho?

RK.: Combino pintura abstrata e fotografia, explorando a interação entre essas técnicas. Pinto abstrações em diversos suportes, fotografo e realizo tratamento digital para obter resultados distintos. Paralelamente, busco composições fotográficas naturais ou criadas por mim, transformando essas imagens em pinturas abstratas.

6- ANR.: Como a fotografia enriquece suas composições em Fine Art? Como você escolhe os elementos a serem capturados?

RK.: Atualmente, utilizo principalmente o celular para fotografar meus trabalhos, aproveitando os diversos filtros e aplicativos disponíveis para aprimorar minhas composições. As escolhas dos elementos nas composições são variadas, desde elementos naturais como plantas, troncos e folhas até elementos urbanos e arquitetônicos como muros, paredes e janelas. Ao identificar uma composição interessante, fotografo e crio obras de Fine Art, resultando em dois tipos de trabalhos: esculturas inéditas e únicas, além de quadros fotográficos dessas esculturas.

7- ANR.: Sua capacidade de transitar entre estilos, técnicas e temas diversos é notável. Como você decide quando é hora de mudar de estilo ou técnica em seu trabalho?

RK.: Minha prática artística é caracterizada pela constante transição entre estilos e técnicas. Alternando entre pintura, colagem, gravura, serigrafia e fotografia, não sigo uma ordem predeterminada para mudar de estilo ou técnica. Muitas vezes, um trabalho envolve a aplicação de vários estilos em sua produção. Por exemplo, a escultura que crio é utilizada na fotografia, o papel artesanal produzido é utilizado na gravura ou serigrafia, e as fotografias de composições e texturas são tratadas digitalmente na produção de Fine Art.

8- ANR.: Como você vê a evolução de sua arte ao longo do tempo? Existem tendências ou temas em que você está mais interessado atualmente em explorar?

RK.; O processo contínuo de evolução é essencial para a melhoria constante. Atualmente, meu interesse na PopArt me leva a explorar técnicas de colagem, envolvendo recortes de textos, imagens, grafismos e texturas, para criar novas imagens contextualizadas.
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9- ANR.: A versatilidade é uma característica marcante de seu trabalho. Existe um meio ou técnica que você ainda deseja explorar e que não tenha abordado completamente até agora?

RK.: Tenho interesse em explorar diversas técnicas e meios artísticos, incluindo o processo de moldagem e escultura, utilizando uma variedade de materiais como argila, madeira, silicones, metal, arames e papel. Além disso, estou estudando e me preparando para executar a confecção de papel artesanal, empregando fibras vegetais naturais, que serão utilizadas como suporte para xilogravuras que estou desenvolvendo. .

10- ANR.: Muitas de suas obras parecem desafiar as fronteiras convencionais, explorando materiais e temas diversos. Pode compartilhar um projeto que considera particularmente desafiador e gratificante?

RK.: Em minhas criações tenho como fonte de inspiração muitos trabalhos de outros artistas, a reciclagem, o reuso e a natureza. Desenvolvi um projeto significativo intitulado "Crops", uma série de quadros fotográficos em Fine Art com dimensões de 90x120cm. Este projeto envolveu a criação de um cenário improvisado em casa, utilizando uma bacia plástica, terra e uma cabeça de manequim enterrada, deixando apenas o rosto exposto. Fotografei diversas imagens desse cenário e, posteriormente, realizei o tratamento digital para a produção dos quadros. Além disso, documentei o processo em um vídeo compartilhado em meu Instagram.

11- ANR.: Qual é o significado da arte em sua vida?

RK.: A arte é uma visão significativa que permeia todos os aspectos da minha vida. Ela me impulsiona a estudar, pesquisar e aprender novas e antigas técnicas criativas. Desde a infância, meu olhar sempre esteve voltado para a arte, acreditando que ela está presente em tudo no mundo e continuará a estar.

12- ANR.: Em sua filosofia artística, a arte é considerada um campo de oportunidades. Como você incentiva outras pessoas a verem o mundo com uma perspectiva artística semelhante?

RK.: Sim, a arte é um campo enorme de oportunidades que deve ser explorado por todos, acredito que todos nós possuimos alguma habilidade artistica que não deve ser deixada adormecida dentro de si, deve ser posta para fora e ser utilizada como uma oportunidade para expor seu potêncial e habilidades artisticas.

13- ANR.: Você menciona a mudança constante de estilos e a finalização de projetos como fonte de satisfação em sua prática artística. Pode compartilhar um projeto recente que tenha lhe proporcionado grande satisfação?

RK.: Um projeto que me rendeu grande satisfação recentemente foi uma série de três quadros que produzi a partir de um cenário caseiro improvisado em minha garagem, utilizando uma bacia grande com terra e uma cabeça de manequim posicionada deitada fui aterrando a até obter as imagens desejadas. Fui fazendo inumeras fotos dessa cena modificando a algumas vezes para obter variações. Depois realizei o tratamento digital para criar as artes fotograficas para a produção da série chamada Cropsy.

14- ANR.: Suas obras refletem uma transformação notável de materiais "inúteis" em arte útil, como você já mencionou. Pode compartilhar um exemplo de uma obra que melhor ilustre esse conceito?

RK.: Sim, venho atualmente utilizando diversos materiais de embalagens descartadas como tampas de embalagens de pizzas "papelão" como suporte para criar trabalhos de efeito visual gráficos e abstratos, para tal utilizo borra de café nessas tampas para produzir manchas e nuances de cores aleatórias no suporte, após isso faço pinturas a traço com marcadores, aquarelas entre outros materiais e finalizo fotografando o trabalho e trato digitalmente para produção de Fine Art.

15- ANR.: Como você se mantém motivado e criativo em sua jornada artística, especialmente quando enfrenta desafios criativos?

RK.: A motivação e criatividade vem do prazer de criar, de transformar e a satisfação de ver um bom resultado no processo, sempre ocorre bloqueios criativos tbm, mas sempre dou um jeito de superá-los. Os desafios da criação por si já geram a motivação.

Sua mestria na restauração de móveis antigos e na criação de objetos de arte em cimento, madeira e metal traduzem sua experiência em uma expressão criativa completa.

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