A Arte como Expressão da Vida e da Memória

Rafael Pereira

O artista contemporâneo Rafael Pereira, cujo trabalho ressoa profundamente com a cultura e as tradições brasileiras, nasceu em São Paulo, capital, em 1986. Rafael mudou-se ainda criança para Teófilo Otoni, Minas Gerais, onde se especializou no trabalho com pedras preciosas. Seu retorno a São Paulo, aos 17 anos, marcou o início de uma jornada autodidata na pintura e no desenho, equilibrando o trabalho com lapidação de pedras preciosas e o desenvolvimento artístico.
A formação artística de Rafael Pereira é marcada por sua autodidaxia e pelo ambiente rico em cultura onde cresceu. Desde jovem, ele mostrou um interesse natural pela arte, sendo influenciado por sua ancestralidade de matriz africana, que permeia suas obras com simbologias e cores vibrantes. A decisão de se dedicar exclusivamente à arte aos 24 anos foi um ponto de virada em sua carreira, levando-o a vender suas obras nas ruas e a viajar pelo Brasil, absorvendo a cultura e as paisagens de cada lugar.
Rafael Pereira começou sua carreira sendo incentivado pelo casal de colecionadores Claudete Guitar e Torquato Saboia Pessoa, que reconheceram seu talento desde o início. Entre seus trabalhos está a série de pinturas "Catadores de Cana" (2021), que aborda a realidade dos cortadores de cana e homenageia a profissão de seu pai. Sua capacidade de capturar a dignidade e a essência das pessoas que retrata é uma característica marcante de sua obra.
O estilo de Rafael Pereira é influenciado por artistas brasileiros contemporâneos e de vanguarda como Heitor dos Prazeres, Artur Timóteo da Costa, Benedito José Tobias, Emmanuel Zamor, Wilson Tibério, Dalton Paula, André Ricardo, Moisés Patricio, Renata Felinto, Tiago Sant'ana, Catarina Dantas, Tarsila do Amaral, entre outros. Suas obras são conhecidas por retratar cenas cotidianas com um toque poético, combinando elegância e sofisticação. Rafael utiliza uma variedade de técnicas, incluindo óleo, nanquim, giz pastel e xilogravura, sempre explorando novas formas de expressão artística.
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A arte de Rafael Pereira encanta visualmente e provoca reflexões profundas sobre a vida e a memória. Ele retrata pessoas de forma simples e digna, criando uma conexão emocional com o público. Seus projetos frequentemente têm um impacto social, destacando questões importantes e trazendo à tona a beleza das experiências humanas cotidianas. Rafael acredita que a arte tem um papel crucial na sociedade, servindo como um meio de preservar memórias e contar histórias que de outra forma poderiam ser esquecidas.
"Para mim, a pintura sempre me leva ao encontro do Eu, o eu desconhecido, é como se fosse o descobrimento do que ainda não sou, mas que faz parte de mim. Um lugar novo onde existo, e faz parte da minha natureza, é uma forma de reexistir, de se adaptar e se reconectar com o presente e o passado, unificando os dois tempos e recuperando um ser em plenitude. É uma forma de esvaziamento e preenchimento para existir novamente. Meu trabalho é a invenção da minha realidade, é o atravessamento de multidões que me faz enxergar facetas do que sou, certamente continuidade", explica Rafael.
Rafael Pereira já exibiu suas obras em diversos lugares do Brasil e do mundo. Sua primeira mostra individual na Galeria Estação, intitulada "Lapidar Imagens", celebra a altivez da negritude e dialoga com a estética provocativa do retrato modernista. A exposição, realizada de novembro de 2023 a janeiro de 2024, foi dedicada à sua mãe, Maria do Carmo Alves Jardim, e à memória de seu pai, Dilson Pereira Ramalho. Nessa mostra, Rafael aprofundou-se na elaboração de detalhes minuciosos, especialmente em estamparias de roupa, paisagens de fundo e ornamentos que envolvem as figuras retratadas.
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